1848 - Almeida Antiga
AA1848

Capítulo
30

1 PALAVRAS de Agur filho de Jakê, a profecia: disse este varão a Ithiel; a Ithiel, e a Uchal. 2 Na verdade que eu sou mais brutal que ninguem, e não tenho entendimento humano. 3 Nem aprendi sabedoria: nem soube sciencia de santos. 4 Quem subio ao ceo, e descendeo? quem encerrou aos ventos em seus punhos? quem amarrou as aguas em hum pano? quem collocou todos os fins da terra? qual he seu nome? e qual o nome de seu filho? se o sabes? 5 Toda palavra de Deos he pura: he escudo para os que confião nelle. 6 Nada acrecentes a suas palavras: para que não te reprenda, e sejas achado mentiroso. 7 Duas cousas te pedi: não m`as negues, antes que morra. 8 Vaidade e palavra mentirosa alonga de mim: não me dês pobreza nem riqueza: mantem-me do pão de minha ordinaria porção. 9 Para que porventura de farto te não negue, e diga, quem he Jehovah? ou que empobrecendo, não venha a furtar; e lance mão do nome de meu Deos. 10 Não murmures do servo para com seu senhor, para que te não amaldiçoe, e fiques culpado. 11 Geração ha, que amaldiçoa a seu pai, e a sua mai não bemdiz. 12 Geração, pura em seus olhos; e nunca lavada de seu esterco. 13 Geração, cujos olhos são altivos; e as capellas delles são alçadas. 14 Geração, cujos dentes são espadas, e cujos queixaes faças: para consumirem da terra aos afflictos, e dentre os homens aos necessitados. 15 A sambixuga tem duas filhas, a saber, da, da: estas tres cousas nunca se fartão; e quatro nunca dizem, Basta. 16 A sepultura, a madre esteril: a terra não farta de agua; e o fogo nunca diz, Basta. 17 Os olhos que zombão do pai, ou desprezão a obediencia da mai, os corvos do ribeiro os arrancarão, e os pintãos da aguia os comerão. 18 Estas tres cousas me maravilhão; e quatro, que não sei. 19 O caminho da aguia no ceo, o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar, e o caminho do varão na donzella. 20 Tal he o caminho da mulher adultera: come, e alimpa sua boca; e diz, não cometi maldade. 21 Por tres cousas se alvoroça a terra: e por quatro, que não pode suportar. 22 Pelo servo, quando reina; e pelo louco, quando anda farto de pão. 23 Pela mulher aborrecivel, quando se casa, e pela serva, quando herda a sua senhora, 24 Estas quatro são as mais pequenas da terra: porem sabias, bem providas de sabedoria. 25 As formigas são povo impotente: todavia no verão preparão sua comida. 26 Os coelhos são povo impossante: e com tudo poem sua casa na penha. 27 Os gafanhotos não tem rei: e com tudo todos sahem, e em bandos se repartem. 28 A aranha apanha com as mãos. e está nos paços dos Reis. 29 Estas tres tem hum bom andar: e quatro que passeão mui bem. 30 O leão velho feroz entre os animaes; que por ninguem torna a tras. 31 O animal cingido pelos lombos, e o cabrão, e o Rei, a quem se não pode resistir. 32 Se loucamente te ouveste, elevando-te: e se imaginaste mal, poem a mão na boca. 33 Porque o espremer do leite produz manteiga, e o espremer do nariz produz sangue: e o espremer da ira produz contenda.