1848 - Almeida Antiga
AA1848
LC

Capítulo
15

1 E CHEGAVAO a elle todos os publicanos, e peccadores a ouvi-lo. 2 E murmuravão os Phariseos, e os Escribas, dizendo: este aos peccadores recebe, e com elles come. 3 E elle lhes propôz esta parabola, dizendo: 4 Que homem de vósoutros tendo cem ovelhas, e perdendo huma dellas, não deixa no deserto as noventa e nove, e vai após a perdida, até que a venha a achar? 5 E achando-a, a não ponha sobre seus hombros gostozo? 6 E vindo á casa, não convoque aos amigos, e vizinhos, dizendo-lhes: alegrai-vos comigo, porque já achei minha ovelha perdida? 7 Digo-vos, que assim haverá mais alegria no ceo por hum peccador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que de arrependimento não necessitão. 8 Ou que mulher tendo dez drachmas, se a huma drachma perder, não accende a candeia, e varre a casa, e a busca com diligencia até a achar? 9 E achando-a, não convoque as amigas e as vizinhas, dizendo: alegrai-vos comigo, porque já a drachma perdida achei. 10 Assim vos digo, que ha alegria diante dos Anjos de Deos por hum peccador que se arrepende. 11 E disse: Hum certo homem tinha dous filhos. 12 E disse o mais moço delles ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence; e elle lhe repartio a fazenda. 13 E depois de não muitos dias. ajuntando o filho mais moço tudo, partio para huma terra mui longe, e ali desperdiçou sua fazenda, vivendo dissolutamente. 14 E havendo elle já tudo gastado, houve huma grande fome naquella terra, e começou a padecer necessidade. 15 E foi, e chegou-se a hum dos cidadãos daquella terra; e mandou-o a seus campos a apascentar os porcos. 16 E desejava encher seu ventre das mondas que comião os porcos, e ninguem lhas dava. 17 E tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai tem abundancia de pão, e eu aqui pereço de fome. 18 Levantar-me-hei, e ir-me-hei a meu pai, e dir-lhe-hei: Pai, contra o ceo, e perante ti pequei. 19 E já não sou digno de ser chamado teu filho: faze-me como a hum de teus jornaleiros. 20 E levantando-se, foi a seu pai. E como ainda estivesse de longe, vio-o seu pai, e moveo-se a intima compaixão; e correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e beijou-o. 21 E o filho lhe disse: Pai, contra o ceo, e perante ti pequei; e já não sou digno de ser chamado teu filho. 22 Mas o pai disse a seus servos: Trazei o melhor vestido, e vesti-lho; e ponde hum annel em sua mão, e alparcas nos pés. 23 E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos. 24 Porque este meu filho, morto era, e reviveo; tinha-se perdido, e he achado. E começárão-se a alegrar. 25 E seu filho o mais velho estava no campo; e como veio, e chegou perto da casa, ouvio a musica, e as danças. 26 E chamando a si a hum dos servos, perguntou-lhe, que era aquillo? 27 E elle lhe disse: Teu irmão he vindo; e teu pai matou o bezerro cevado, porquanto o recuperou são e salvo. 28 Porém elle se indignou, e não queria entrar. Assim que sahindo o pai, rogava-lhe que entrasse. 29 Mas respondendo elle, disse ao pai; eis aqui, tantos annos ha que te sirvo, e nunca teu mandamento traspassei, e nunca hum cabrito me déste, para que com meus amigos me alegrasse. 30 Porém vindo este teu filho, que com mundanas desperdiçou tua fazenda, o bezerro cevado lhe mataste. 31 E elle lhe disse; Filho, tu sempre comigo estás, e todas minhas cousas são tuas. 32 Pelo que convinha alegrar-se e folgar; porque este teu irmão era morto, e reviveo; e tinha-se perdido, e he achado.