1848 - Almeida Antiga
AA1848

Capítulo
4

1 EIS que es formosa, amiga minha, eis que es formosa; teus olhos são olhos de pomba entre tuas trenças; teu cabello como rebanho de cabras, que pastão a erva do monte de Gilead. 2 Teus dentes são como rebanho de ovelhas tosquiadas, que sobem do lavatorio: e todas ellas produzem gemeos, e nenhuma dellas de esteril. 3 Teus beiços são como hum fio de grã, e tua falia suave: a fonte de tua cabeça como hum pedaço de romã entre tuas trenças. 4 Teu pescoço como a torre de David, edificada para pendurar armas: mil escudos pendem della, todos rodelas de Herões. 5 Teus dous peitos como dous filhos gemeos de gama, que pastão entre os lirios. 6 Até que venha aquelle dia, e se acolhão as sombras: irei ao monte da myrrha, e ao outeiro do encenso. 7 Tu toda es formosa, amiga minha, e não ha tacha em ti. 8 Vem comigo do Libano, ó esposa; comigo do Libano vem: attentadesdo cume de Amaná, desdo cume de Senir e de Hermon, desdas moradas das leóas, desdos montes dos leopardos. 9 Tiraste-me o coração, irmã minha, ó esposa: tiraste-me o coração com hum de teus olhos, com hum collar de teu pescoço. 10 Quam fermosos são teus amores, irmã oh esposa minha! quanto melhores são teus amores, do que o vinho! e o cheiro de teus unguentos, do que todas as especiarias! 11 Favos de mel estão manando de teus beiços, ó esposa: mel e leite estão debaixo de tua lingoa; e o cheiro de teus vestidos como o cheiro do Libano. 12 Horta fechada es tu irmã minha oh esposa: manancial fechado, fonte sellada. 13 Tens renovos são paraiso de romãs, com fructos excellentes, Cypro com nardo. 14 Nardo, e açafrão, calamo, e canela, com toda sorte de arvores de encenso: myrrha. e aloes, com todas as principaes especiarias. 15 Oh fonte das hortas, poço das aguas vivas, que correm do Libano! 16 Levanta-te vento Norte, e vem tu vento Sul, assopra por minha horta, para que destillem suas especiarias: ah se viesse meu amado á sua horta, e comesse de seus excellentes fructos!