1848 - Almeida Antiga
AA1848

Capítulo
13

1 AINDA que eu falasse as linguas dos homens, e dos Anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que tine, ou como o sino que retine. 2 E ainda que tivesse o dom de prophecia, e soubesse todos os mysterios, e toda a sciencia: e ainda que tivesse toda a fé, de tal maneira que transpozesse os montes, e não tivesse caridade, nada seria. 3 E ainda que distribuisse toda minha fazenda para mantimento dos pobres, e ainda que entregasse meu corpo a ser queimado, e não tivesse caridade, nada me aproveitaria. 4 A caridade he longanima: he benigna: a caridade não he invejosa: a caridade não trata levianamente, não se incha. 5 Não trata indecentemente: não busca a si mesma: não se irrita: não cuida mal. 6 Não folga da injustiça: porém folga da verdade. 7 Tudo encobre, tudo cré, tudo espera, tudo supporta. 8 A caridade nunca se perde: Porém sejão prophecias, aniquiladas serão: Sejão linguas, cessarão: Seja sciencia, aniquilada será. 9 Porque em parte conhecemos, e em parte prophetizamos: 10 Mas quando vier o perfeito, então o que he em parte, será aniquilado. 11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino: mas como me fiz homem, o que era de menino, aniquilei. 12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos cara a cara: Agora conheço em parte, mas então conhecerei, como tambem sou conhecido. 13 E agora permanece a fé, a esperança, e a caridade, estas tres: Porém a maior destas he a caridade.